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No Mundo da Lua - Sônia Pillon


Sônia Pillon nasceu em Porto Alegre e há duas décadas reside em Jaraguá do Sul. 

Formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduação em Produção de Texto pela Univille.

Atuou como repórter, editora, redatora e assessora de imprensa  no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Por mais de 10 anos atuou no jornal A Notícia.  

Sempre se dedicou à literatura e às ações culturais. É autora de “Crônicas de Maria e outras tantas – Um olhar sobre Jaraguá do Sul” e “Encontro com a paz e outros contos budistas”, com participação em antologias de contos, crônicas e poesias.

Publica no Jornal Evolução, no blog soniapillon.blogspot.com e na fanpage "Sônia Pillon Escritora". 

É Presidente de Honra da Seccional Jaraguá do Sul da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina (ALBSC). Integra o Grupo Gestor do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Mestre Manequinha e o Conselho Municipal dos Direitos do Idoso de Jaraguá do Sul.


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Dias de pérolas

Quinta, 26 de março de 2020

 
 
Sônia Pillon 
 
Sempre gostei de pérolas. Arredondadas,  de cor bege clara brilhante, as pérolas sempre tiveram destaque entre os adornos que eventualmente uso no dia a dia. Anéis, brincos,  colares... Bijuterias, é  claro! Até porque uma pérola "verdadeira", mesmo cultivada, é uma joia não tão acessível para quem é assalariado, com tantas prioridades mais prementes... Porém,  o
efeito visual e a elegância que essa gema preciosa confere, na minha opinião,  é o mesmo, encanta os olhos! 
 
Outra vantagem é que a pérola combina com os mais diversos estilos e atravessa os séculos sem "cair de moda".
 
Recentemente foi divulgada a notícia da descoberta da pérola mais antiga já encontrada. O que se sabe é que foi encontrada em uma ilha próxima a Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes e teria 8 mil anos.  Uma relíquia, sem dúvida!
 
É interessante pensar que uma pérola nasce através de um processo de defesa contra corpos estranhos. Ao receber um glóbulo de calcário, uma pedra minúscula, uma concha de molusco se fecha e lentamente inicia o processo que gerará uma cápsula gelatinosa. Após um período de reclusão, aquela pedrinha se transforma em uma peça  nacarada, pronta para ser lançada e admirada por sua beleza sem igual.
 
Um processo semelhante a esse estamos passando no planeta. Por conta do novo coronavírus, nos recolhemos dentro de nossas casas, como a concha que foi surpreendida pela pedra que a feriu, obrigando-a ao fechamento para o resto do mundo. 
Nos forçamos a "voltar para a toca", aos nossos lares.
 
Se por um lado a pandemia nos deixou amedrontados e nos obrigou a intensificar os hábitos de limpeza e higiene pessoal, também  nos dá a oportunidade de aproveitar o tempo em família.  De nos doarmos para nossos filhos,  pais e avós. De resgatar laços, aparar arestas, ressignificar as relações humanas. Re-unir, ainda que por meios eletrônicos. 
Dizer "eu te amo", "estou com saudade", "me perdoe", "conte comigo"...
 
Aproveitar a oportunidade para fazer a diferença na forma de interagir com as pessoas,  daqui para frente. Valorizar os profissionais atuam na retaguarda nesse momento.
 
A pandemia vai passar, o barco vai seguir em frente, apesar de tudo. Para os que aproveitarem, os "dias de pérolas" não serão em vão. E você, leitor, está cultivando uma "pérola" enquanto está em quarentena?


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