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Qual a cor do Dia Internacional da Mulher?


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 Por Carla Hofmann

De modo geral não gosto muito de falar, escrever e discutir sobre  datas que acabaram se transformando em momentos destinados exclusivamente ao consumo, como a meu ver, ocorreu  com  o Dia Internacional da Mulher.

Nesse particular,  fico com a Martha Medeiros, que diz que  Março seria um excelente mês para tirarmos férias, no Ushuaia, em uma simpática cabana, até passar esse dia ou o mês de Março, em que  todos nos perguntem “ O que é ser mulher”, mas como isso não foi possível, resolvi escrever.

Penso que, no intuito do  incremento ao consumo e ao movimento do comércio, onde nessa época se vende de tudo, preferencialmente nas cores rosa ou vermelho, infelizmente  acabamos inverter  a cor principal de um dia tão importante - o CINZA, por cores que teoricamente, melhor representam  as mulheres, pelas chamadas cores de meninas.

Seria então Cinza? Sim,  a cor da massa cinzenta, cor das mulheres que foram queimadas no longínquo protesto, cor do céu para aquela mãe que opta por fazer aborto e se submete ao julgamento de tantos moralistas que apontam de longe o dedo em riste mas não estendem a mão ou da mulher de Cinza da obra do Mia Couto, escritor africano, que vive um amor ousado com alguém de outra casta.

Essa data é realmente um marco e merece ser visto como um momento de mobilização, para a conquista de direitos e para discutir as constantes discriminações e violências morais, físicas e sexuais ainda sofridas pelas mulheres, impedindo que retrocessos ameacem o que já foi alcançado, a duras penas através das lutas feministas.

Através do cancioneiro popular e de seus versos: “sou mais macho que muito homem”,  “mulher é bicho esquisito”, “Amélia que era mulher de verdade”, para ficar com a parte mais nobre da música, pois senão teríamos a “cachorra”, “poderosa”, “mandada”, “maluquinha”, temos uma visão de papeis que foram destinados as mulheres ao longo dos tempos e das figuras  femininas que permeiam o imaginário popular.

A mulher tem ocupado ao longo de décadas  um espaço importantíssimo na sociedade, conduzindo e escolhendo seus carros, empresas, times de futebol, relacionamentos e família com competência e sensibilidade, afinal somos maioria no país, no eleitorado, nas universidades e no sustento e direção das famílias, mas somos ainda minoria nos parlamentos e nos cargos do executivo, pois acabo por concluir que não votamos em mulher.

Por  vezes, deixamos a sensibilidade de lado e passamos a nos portar de forma diversa, pois somos obrigadas a agir como homens para obtermos reconhecimento, vez que ainda  encontramos espaço para o pensamento preconceituoso de que existem carreiras e atitudes que são tipicamente femininas, lugares e comportamentos de meninas, cores e emoções de mulher.

Olho para esse modelo e reflito hoje, de onde ele surgiu? Quem instalou essa forma de pensar nos homens, maridos, juristas, legisladores, chefes, professores,  companheiros e filhos do século XXI?

Tento responder  mentalmente, analisando a discriminação, desigualdade, baixos salários e falta de oportunidades, não só no Brasil, pois até no cinema americano, em 2015, pasmem, faltaram bons papéis para mulheres.

E num momento de continua indagação, continuo com meus colóquios mentais tentando decifrar, quem desde cedo foi a mãe desse menino, que o embalou, ninou acalentou e educou?

Quem foi a mulher que dividiu  as tarefas domésticas na família, determinando que a filha lave a louça e o filho vá lavar a calçada; que conta feliz que o marido/companheiro auxilia  nas tarefas domésticas e nos cuidados com o bebê e rotula a amiga ou inimiga pelo comportamento sexual, que diz ao filho homem na adolescência que aproveite a vida e a filha mulher na mesma idade que seja recatada e espere pelo momento certo.

Quando olho para a amiga solteira e com muita piedade dou conselhos para se encontrar um bom marido, a “tampa da panela”, desde que seja mais rico,  possa pagar pelo jantar, viagem, programa, tachando as feministas de chatas, reafirmo a conduta machista que nós mulheres continuamos a perpetuar na sociedade, pois os nossos filhos tem avós, mães, tias e irmãs que sabem o quanto é difícil ser mulher numa sociedade sexista e preconceituosa, mas não mudo minha forma de ação, só posso pensar que temos um longo a percorrer e muitos oito de março deverão vir para essa fundamental  reflexão.

Sobre as  nossas práticas, discursos, conversas, desculpas, piadas e histórias machistas, com que  alimentamos e educamos gerações de netos, filhos, sobrinhos e irmãos que não terão capacidade de avaliar que a igualdade entre homens e mulheres é essencial para todos, que ser feminista é reconhecer que igualdade é importante  para os seres humanos, pois juntos e de forma igualitária podem construir  um mundo bem melhor para se viver.

E nas oportunidades em que  o machismo impera, vamos assumir: “minha culpa, minha tão grande culpa”, tentando misturar ao  vermelho, rosa, lilás e amarelo um pouco mais de CINZA.



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