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Henrique Fendrich

rikerichgmail.com

Henrique Fendrich (Crônica de São Bento)

Jornalista são-bentense residindo em Brasília/DF


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Nas mãos do cabeleireiro

Quinta, 03 de março de 2016

Deus teve muitas ideias brilhantes, mas acho que dificilmente vou entender o que ele pretendia quando decidiu que nossos fios de cabelo não parariam de crescer nunca. Não estou dizendo que é ruim ter cabelo, sei que ele tem a função de proteger a cabeça contra os raios do sol e contra o frio, mas será que não dava para deixá-lo com o mesmo tamanho durante toda a vida? Por que é preciso que ele cresça? E por que justamente o cabelo foi escolhido para crescer, e não, sei lá, as orelhas? São perguntas que me assaltam a cada três meses, sempre que me vejo na iminência de procurar um cabeleireiro.

E, na verdade, nem precisava procurar muito, pois não faz duas semanas que se mudou para o quartinho ao lado do meu um desses profissionais da tesoura. Quando fomos apresentados, ele fez propaganda do salão em que trabalha e disse que podia conseguir algum desconto para mim – e imediatamente olhou para o meu cabelo, talvez para imaginar o tipo de desafio que teriam pela frente. A verdade é que meu cabelo já não é dos melhores, e quando preciso procurar um cabeleireiro é porque a situação em cima da minha cabeça se tornou insustentável e não há mais pente que resolva. Não devo, portanto, ter causado uma impressão muito boa. Mas agradeci ao convite, é claro, embora achando que não se deve misturar a vida doméstica com a capilar. E se eu não gostar do corte dele, como é que vou encará-lo todos os dias na porta de casa?

Não, o melhor é ir ao cabeleireiro de sempre, que, aliás, nem é cabeleireiro, mas barbeiro, muito embora eu nunca tenha visto ninguém por lá fazendo a barba, ainda que ela também não pare de crescer (por que, meu Deus, por quê?). Chegando lá, pego o primeiro cabeleireiro que estiver livre, dirijo-me à sua cadeira e recebo um babador. A essa altura eu já tirei os óculos, mas nem por isso deixam de me oferecer revistas para ler. Revistas! Será que já não é mais possível que um cidadão de bem fique durante 20 minutos entregue aos seus próprios pensamentos? Para mim, cortar o cabelo, já que é preciso mesmo cortar o cabelo, é uma oportunidade para pensar na vida. Se eu pegar uma revista para ler, meu único pensamento será o de evitar que meus cachos caiam em cima dela. Recuso a revista e o serviço de engraxate que oferecem para o meu pobre All Star – gente, eu só quero cortar o cabelo, ok?

“E como vai ser?”, pergunta o cabeleireiro. Esta é uma pergunta difícil, porque supõe que eu tenha alguma ideia de como organizar as minhas madeixas, quando eu apenas quero que elas diminuam de tamanho. Mas sem exageros, não me agradaria ter o cabelo rapado. Dou uma ou outra instrução e o homem começa. Agora estou nas mãos do cabeleireiro. Eu sei que é um trabalho sob encomenda, mas não deixo de pensar que, aos olhos do cabeleireiro, o que ele faz é uma obra de arte. Fico abismado com o cuidado que meu cabelo recebe. Se eu não saio de lá mais bonito, não é por falta de esforço deles. E tudo isso a despeito da minha irresistível vontade de coçar o nariz ou espirrar tão logo eles comecem a cortar. Fico até sem jeito quando erguem aquele espelhinho e me pedem para avaliar o trabalho. Está ótimo, sempre está ótimo. Mas só por três meses.



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