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Henrique Fendrich

rikerichgmail.com

Henrique Fendrich (Crônica de São Bento)

Jornalista são-bentense residindo em Brasília/DF


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Primeira noite em um hotel

Quinta, 25 de fevereiro de 2016

Não tenho muitos hotéis em meu currículo, até porque também não foram muitas as viagens que fiz, e quando viajo procuro dormir na casa de um conhecido. Mas me lembro especificamente de um hotel, o primeiro deles, um hotel de vinte anos atrás. Em dez anos de vida, eu nunca havia dormido longe de casa. E repente surgiu a possibilidade de dormir em um hotel de Curitiba, mas isso apenas se nós não descobríssemos o endereço dos meus padrinhos, de quem havíamos perdido o contato. Deus há de me perdoar se, por um momento, eu cheguei a preferir que não encontrássemos padrinho algum, desde que isso significasse dormir pela primeira vez em um hotel. Andamos, rodamos, perguntamos, e por fim conseguimos achar a casa em que meus padrinhos moravam. Foi bom revê-los, mas foi uma decepção constatar que eu continuaria sem saber como era dormir em um hotel.

E devo ter mostrado o meu descontentamento de forma tão visível que meus pais aventaram a possibilidade de que, apesar da hospitalidade dos padrinhos, fossemos realmente dormir em um hotel e voltássemos na manhã seguinte. Em atenção a mim, os padrinhos concordaram, e a madrinha ainda observou que, em alguns anos, não seria em um hotel que eu gostaria de passar a noite, mas em um motel – piada que eu, naturalmente, não entendi.

Fomos, enfim, fomos a um hotel, um hotel igual a todos os hotéis, a não ser para quem a experiência é inédita. Afinal, não deixa de ser uma coisa extraordinária a possibilidade de receber, ainda que pagando, uma casa novinha em folha para passar a noite. Não faltavam novidades: pegar uma chave, andar de elevador, caminhar pelo corredor à procura do nosso quarto, e depois abrir a porta e encontrar uma casa estranha, mas uma casa a que nós tínhamos direito, ainda que por uma noite. Abri as portas, as gavetas, encontrei guloseimas na geladeira, e foi difícil me convencer de que aquilo tudo tinha um custo.

Havia ainda um quarto só para mim, um novo espaço para ocupar da maneira que eu bem entendesse. A cama parecia confortável para aquela que seria não apenas a primeira noite em um hotel, mas também a primeira acima do nível do solo. O medo era apenas o barulho dos carros, porque o hotel ficava bem no centro da cidade e tinha uma janela virada para a rua. Mas qual, dormi como uma pedra, não sem antes fazer a leitura de algumas páginas do livro que havia emprestado na biblioteca alguns dias antes: “Gente de estimação”, Pedro Bandeira.

É fácil imaginar que o café da manhã aumentou a minha fascinação pelo serviço dos hotéis. Afinal, havia muito mais variedade ali do que eu jamais encontrei nos cafés da manhã da minha casa. Peguei de tudo um pouco, enquanto olhava com curiosidade para as outras mesas, onde comiam outras famílias que também haviam tido a singular experiência de passar a noite fora de casa.

Depois de arrumarmos nossas coisas, acertamos as contas e saímos do hotel, rumo ao estacionamento. No caminho, houve um motorista que pediu uma informação, mas nós não tínhamos como saber, pois não conhecíamos a cidade. Meu pai se desculpou, avisando que nós éramos turistas. Ao que eu acrescentaria, com indisfarçável orgulho: “E acabamos de passar a noite neste hotel”.



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