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Michell Foitte

michell_foittehotmail.com

Psicólogo Clínico Gestalt-terapeuta

CRP 12/07911


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Vestuário de Flores

Quarta, 17 de fevereiro de 2016

As folhas rolando sobre o gramado verde, refletindo a luminescência tardia dos dias de verão. As flores daquele vestido encobrindo a relva. O sol tingindo as pernas da jovem mulher.

O vestido era a morada para as pernas, o delineamento branco espectral que se confundia e se fundia as flores em vestuários.

Mas que flores eram aquelas do vestido que de algum modo fizeram-me lembrar as bocas-de-leão colocadas sobre vasinhos na varanda com pisos vermelhos na antiga casa onde meus pais residiram, esquina da Antônio Beckert com Otto Zschoerper, ou era das flores postas em canteiros que preenchiam espaços entre as ruas enquanto os carros passavam sem maior atenção, ou era as flores que emurchesseram ao sabor do tempo?

A distância percebia a perna lisa e livre do vestido, porém, não as flores nele impregnadas. Ela deitada sobre o grama, a jovem mulher, enquanto as crianças brincam próximas com bolas e pipas e os burburinhos confundem-se quando o cachorro de alguém atravessa rapidamente o cenário, levantando as gramíneas secas do chão.

Ela deitada sobre a grama com os braços cobrindo os olhos. Imagino que seria para o sol não ferir seus olhos. Mas qual criação deste mundo iria ferir tão bela paisagem?

De súbito seus pés se apóiam no chão. As costas ainda sobre o verdume. O vestido desliza pelas coxas alvas. O que me da clareza da carne fresca virginal e me situa por instantes num mundo de flores perdidas.

Mas eram pernas e vestidos. E de cada perna daria para fazer outra jovem mulher. O jeito de flor cheirosa transbordava seu corpo.

Uma das crianças se machuca. A moça de floral se move. Levanta-se chacoalhando o vestido para escorrer da melhor forma a interpretação das belezas do corpo.

Ela vem em minha direção. Aproxima-se à medida que a criança chorosa sai agarrada ao colo de seu pai. O cachorro saltitando de um lado para o outro atrás de um frisbee.

Quando a distância não mais limitou minha visão percebi quais eram as flores carregadas em roupa por aquela jovem mulher.

Tudo ficou claro como as pernas e pele alvas dos pelos dourados cor de pêssego.

Não eram as bocas-de-leão colocadas em vasinhos na varanda da antiga casa onde meus pais residiram, não as dos canteiros centrais que separam ruas para os carros passarem, nem as flores que eu entreguei a tantas mulheres e que acabariam murchando dentro de um singelo copo de vidro com água turva, não... Não eram as mesmas flores.

Eram as flores que cresciam soltas, quase nunca podadas. Eram as flores regadas com lágrimas, eram flores pouco aparadas pelo cuidador das lápides do cemitério onde Júlia repousa em seu sono eterno e profundo.



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